A nova batuta da inclusão: Dante Mantovani e o poder transformador da música clássica

Em um país onde o acesso à cultura ainda é um privilégio para poucos, o maestro Dante Mantovani tem mostrado que a música clássica pode ser um elo entre arte, educação e cidadania. Mestre e doutor pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele se tornou um dos principais defensores da educação musical como ferramenta de desenvolvimento humano e social no Brasil.

À frente do Instituto Cultural APRIMUS, Mantovani já impactou a vida de milhares de pessoas em Paraguaçu Paulista (SP) e outras regiões brasileiras. O projeto oferece formação musical gratuita e promove a inclusão por meio de orquestras, corais e festivais. Além de dirigir o instituto, o maestro coordena o setor de Música da Luízas de Marilac, instituição que acolhe jovens em situação de vulnerabilidade, e preside o Festival de Música de Paraguaçu Paulista, evento que se tornou referência regional.

Com uma sólida formação internacional, Mantovani estudou Regência Orquestral sob orientação de mestres como Daisuke Soga, Kirk Trevor e Francisco Navarro Lara, consolidando-se como um dos nomes mais respeitados da regência contemporânea. Nos Estados Unidos, participou de cursos avançados em Cincinnati (Ohio) e integrou a College Orchestra Directors Association (CODA), aprimorando sua atuação técnica e pedagógica.

Durante sua gestão à frente da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), entre 2019 e 2020, lançou o Sistema Nacional de Orquestras Sociais (SINOS), iniciativa pioneira voltada à formação de jovens instrumentistas e à popularização da música erudita no país. O projeto se tornou um marco de inclusão cultural, aproximando a arte de comunidades historicamente afastadas desse universo.

Além da regência, Mantovani se destaca como pesquisador e escritor. É autor de livros como Ensaios Sobre a Música Universal – do Canto Gregoriano a Beethoven e Música e Cérebro – Como Usar a Música para Destravar sua Inteligência, obras que exploram a relação entre a música, o pensamento e o aprendizado. Seus estudos e artigos sobre regência já foram publicados em diversos países, especialmente na Espanha.

Com carreira internacional, o maestro já regeu orquestras na Espanha, Itália e Paraguai, e participou de eventos de prestígio, como o Conclave para a Democracia, em Washington D.C.. Entre as condecorações que recebeu estão o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes, a Medalha “Homem de Honra” e o reconhecimento como Imortal da Música Erudita Brasileira pela Academia Paulista de Música.

Atualmente, Mantovani também atua no Conselho Municipal de Turismo de Paraguaçu Paulista, onde é empresário do tradicional Esplanada Hotel, um dos marcos da cidade.

Para o maestro, cada nota executada é um convite à transformação: “A música clássica é um instrumento de elevação espiritual e de construção da cidadania.” Sua trajetória reafirma que a arte, quando aliada à educação, é capaz de transformar realidades e inspirar novas gerações.