
O estado do Paraná enfrenta uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente. Um tornado de alta intensidade atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado, na tarde de sexta-feira (7), provocando destruição em larga escala, dezenas de feridos e mortes confirmadas.
De acordo com o governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), as equipes do governo estadual estão totalmente mobilizadas para atender as vítimas. Uma força-tarefa formada por bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e profissionais de saúde foi enviada à região ainda durante a madrugada.
“O Paraná foi atingido por ventos muito fortes e um tornado de nível 3. Montamos uma força-tarefa para dar todo o apoio necessário no resgate das vítimas e no atendimento de saúde. Vamos agir de forma emergencial para atender todas as famílias afetadas”, declarou o governador.
Ratinho Júnior destacou que “há muitos anos o Paraná não via um tornado com tamanha força”. Segundo o Simepar, o sistema meteorológico responsável pelo evento foi uma supercélula, tipo de tempestade extremamente intensa, capaz de gerar tornados de grande potência. Os ventos registrados chegaram a 250 km/h, com possibilidade de picos ainda maiores, o que pode elevar o fenômeno à categoria F3 na escala Fujita.
Destruição generalizada
O cenário em Rio Bonito do Iguaçu é de colapso quase total. Estima-se que cerca de 90% das construções da cidade foram danificadas ou destruídas. Casas desabaram, escolas e comércios ficaram em ruínas, veículos foram arremessados e a rede elétrica foi praticamente aniquilada.
A Defesa Civil confirma que seis pessoas morreram até a manhã deste sábado (8) — cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Mais de 430 moradores precisaram de atendimento médico, e pelo menos nove seguem em estado grave. Há centenas de desabrigados e um número ainda não definido de pessoas desaparecidas.
O hospital municipal opera acima da capacidade, e ambulâncias de várias cidades vizinhas foram deslocadas para reforçar o atendimento. Em alguns trechos, equipes de resgate ainda encontram dificuldades para acessar as áreas mais isoladas, onde estradas foram bloqueadas por destroços e árvores caídas.
Ação do governo e reconstrução
O governo estadual confirmou que irá decretar estado de calamidade pública, o que deve agilizar a liberação de recursos para reconstrução e assistência social. Ratinho Júnior determinou o envio de máquinas, caminhões, combustível e equipes de engenharia para a limpeza das vias e restauração da infraestrutura básica.
Além disso, a Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) foi acionada para elaborar um plano emergencial de reconstrução de moradias destruídas pelo tornado. O governo também estuda medidas para garantir abrigos temporários e auxílio financeiro às famílias que perderam tudo.
Monitoramento e riscos
O Simepar segue analisando imagens de radar e satélite para determinar a trajetória exata do tornado e confirmar a intensidade dos ventos. As autoridades alertam para o risco de novas tempestades em regiões próximas, devido à permanência de um sistema de baixa pressão atmosférica.
Meteorologistas afirmam que o fenômeno registrado em Rio Bonito do Iguaçu está entre os mais severos já observados no Paraná. A combinação de calor intenso e umidade vinda do norte do país criou condições propícias para a formação de tempestades extremas, intensificadas pelo avanço de uma frente fria.
Situação humanitária
As equipes de resgate continuam em campo em busca de desaparecidos. Centenas de voluntários e moradores se mobilizam para oferecer abrigo, alimentos e roupas às famílias afetadas. Igrejas, escolas e ginásios servem de pontos de acolhimento emergencial.
A prioridade do governo é salvar vidas, restabelecer os serviços básicos e iniciar o processo de reconstrução. O impacto humano e material da tragédia ainda está sendo dimensionado, mas o governador reafirmou que “ninguém ficará sem ajuda”.
A tragédia em Rio Bonito do Iguaçu entra para a história como um dos episódios meteorológicos mais violentos já registrados no sul do Brasil.