Temporal causa mortes, destelhamentos e apagões em mais de 50 municípios; Defesa Civil emite alerta vermelho e governo estadual mobiliza equipes de emergência

Um ciclone extratropical atingiu o Paraná na tarde e noite desta sexta-feira (7), provocando ventos fortes, chuvas intensas e estragos em diversas cidades. Segundo a Copel (Companhia Paranaense de Energia), mais de 60 mil unidades consumidoras ficaram sem luz em todo o estado no pico do temporal.
As regiões Oeste e Sudoeste foram as mais afetadas, concentrando cerca de 46 mil desligamentos. No Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Cascavel e Serranópolis do Iguaçu registraram dezenas de ocorrências de queda de postes e árvores. No Sudoeste, municípios como Barracão, São Jorge do Oeste, Rio Bonito do Iguaçu e Cruzeiro do Iguaçu sofreram grandes danos estruturais.
Em Rio Bonito do Iguaçu, a força dos ventos destruiu o pátio de máquinas da prefeitura e destelhou dezenas de casas. Há suspeita de formação de um tornado, ainda não confirmada oficialmente. O presidente da Câmara Municipal relatou uma morte e várias pessoas feridas no município.
A Defesa Civil do Paraná colocou ao menos seis cidades em alerta vermelho, o nível máximo de risco. Equipes de bombeiros e das prefeituras trabalham para desobstruir vias, remover árvores caídas e atender famílias desabrigadas. De acordo com o Simepar, as rajadas de vento chegaram a 82 km/h em Dois Vizinhos. O fenômeno está relacionado à passagem de uma frente fria pela Região Sul, que se intensificou ao encontrar áreas de instabilidade.
Estragos e números atualizados
De acordo com boletim divulgado pelo Governo do Estado, 14 municípios já decretaram situação de emergência, o que permite acesso a recursos do Fundo Estadual para Calamidades (Fecap).
Em todo o Paraná, mais de 23 mil pessoas foram afetadas, 1.100 estão desalojadas, 108 desabrigadas e mais de 7 mil casas sofreram danos — 75 residências foram totalmente destruídas.
Além dos danos em imóveis, há registros de alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e bloqueios em rodovias estaduais e federais. Equipes da Copel seguem mobilizadas para restabelecer o fornecimento de energia nas áreas mais atingidas.
Recomendações e próximos dias
A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas com cabos rompidos, postes caídos e alagamentos, e a buscar abrigo seguro durante tempestades. Em caso de emergência, é possível acionar o 199 (Defesa Civil) ou a Copel pelo 0800 51 00 116 e via WhatsApp oficial.
O Simepar alerta que o tempo segue instável durante o fim de semana, com chuvas e ventos fortes em todo o estado, principalmente na Grande Curitiba e no Litoral, onde o mar deve permanecer agitado e há risco de granizo isolado.
Contexto meteorológico
Meteorologistas explicam que o ciclone é resultado da interação entre uma frente fria e áreas de baixa pressão atmosférica, comuns nesta época do ano, mas que, desta vez, se intensificaram devido à grande diferença de temperatura entre o ar quente e o ar frio. Embora o fenômeno não seja classificado como ciclone tropical, seus ventos fortes e deslocamento rápido ampliaram o potencial destrutivo sobre o interior do estado.
Situação nas principais regiões (dados parciais)
| Região | Principais municípios afetados | Impacto |
|---|---|---|
| Oeste | Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Cascavel | 23 mil desligamentos de energia, destelhamentos e quedas de árvores |
| Sudoeste | Barracão, São Jorge do Oeste, Rio Bonito do Iguaçu | 23 mil desligamentos, suspeita de tornado, 1 morte confirmada |
| Norte | Alvorada do Sul | 7,7 mil residências sem energia |
| Região Metropolitana de Curitiba | São José dos Pinhais, Araucária, Campo Largo | Ventos fortes e risco de novos temporais |
| Litoral | Paranaguá, Matinhos, Guaratuba | Mar agitado e alerta de ressaca |