Solidão, depressão e o aumento do suicídio entre idosos no fim de ano

Por Sandra Campos

As festas de final de ano, para muitos, são momentos de comemoração, alegria e reunião em família. Porém, para aqueles que vivem sozinhos, esses períodos podem ser extremamente tristes, pois se sentem esquecidos. Para muitos idosos, as datas comemorativas de fim de ano marcam um profundo sentimento de solidão. Filhos, netos e outros parentes estão tão envolvidos na rotina corrida do dia a dia que não conseguem tempo para visitas. Muitos moram longe, o que torna os encontros espaçados, e outros acabam viajando durante as festas, impossibilitando qualquer contato.

Na velhice, a solidão e a sensação de abandono pesam muito e, com elas, vem a depressão. Muitos idosos perdem a vontade de viver, e os casos de suicídio aumentam significativamente nesse período do ano. Ajudar esses idosos não é uma tarefa simples, mas as prefeituras podem desempenhar um papel fundamental por meio da criação de atividades coletivas, como jogos, momentos de acolhimento e ações que ocupem o dia a dia da terceira idade. 

Estive no CCI — Centro de Convivência do Idoso — da cidade de Jandira e, ao conversar com os idosos, ouvi relatos emocionantes. Eles passaram a praticar atividades esportivas em grupo, disputar campeonatos com outras cidades e, com isso, ganharam uma nova rotina e mais vontade de viver. Jogam damas e xadrez, participam de tardes de leitura e, o melhor de tudo, fazem novos amigos, compartilham histórias e experiências. Fiquei muito feliz ao saber que dali surgiram até histórias de amor que terminaram em casamento.

É de extrema importância a participação do poder público na vida dos idosos, promovendo atividades que ocupem a mente e fortaleçam os vínculos sociais. Em alguns estados, foram construídas vilas destinadas à terceira idade, com diversas atividades e cuidados com a saúde — um modelo que deveria ser seguido por prefeituras comprometidas com aqueles que tanto contribuíram para o nosso país.E nós, o que podemos fazer para ajudar? Uma atitude simples pode fazer toda a diferença: convidar um idoso conhecido para passar as festas conosco, compartilhar uma refeição e desfrutar de momentos especiais juntos. A idade chega para todos, e devemos acolher com palavras e ações que demonstrem o quanto essas pessoas são importantes para o nosso convívio.

Sandra Campos perdeu há dois anos seu filho de 24 anos para o suicídio e se tornou uma ativista pela vida com o Projeto “Não te julgo, te ajudo!” Ela se coloca à disposição para ouvir, gratuitamente, pessoas em sofrimento. Celular: (11) 94813-7799