
O zagueiro paranaense de Jacarezinho, Vitor Eduardo da Silva Matos, o Vitão, vem ganhando destaque no Flamengo e já orgulha torcedores de sua cidade natal e de todo o Norte Pioneiro do Paraná. Aos 26 anos, ele carrega uma trajetória marcada por desafios dentro e fora de campo até alcançar o sonho de vestir a camisa rubro-negra.
Desde muito cedo, Vitão precisou lidar com a distância da família. Aos 13 anos, deixou Jacarezinho para seguir carreira, iniciando uma rotina de mudanças e sacrifícios. Com o tempo, a distância aumentou ainda mais, exigindo maturidade precoce para lidar com a saudade e a pressão do futebol.
No Rio de Janeiro, encontrou um novo desafio: a forte concorrência no sistema defensivo do Flamengo, com jogadores experientes e de nível internacional. Mesmo assim, o zagueiro vem buscando seu espaço e já participou de parte importante dos jogos da equipe na temporada.
— “É uma honra disputar posição com jogadores desse nível. Procuro aprender todos os dias”, afirmou.
Disputa acirrada e novas oportunidades
Sem ainda se firmar como titular absoluto, Vitão encara a concorrência como motivação. Ele já atuou ao lado de diferentes companheiros de zaga e destaca a troca constante dentro do elenco.
Com desfalques durante a Data Fifa, o defensor deve ganhar nova oportunidade entre os titulares contra o Red Bull Bragantino, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro. A chance é vista como mais um passo para se consolidar no time.
O sacrifício do pai foi decisivo
Um dos pontos mais marcantes de sua história envolve a família. O pai, Claudinei Matos, abriu mão da própria estabilidade para acompanhar o filho nos primeiros passos no futebol.
Quando Vitão foi para Londrina ainda adolescente, o pai passou a viver de trabalhos temporários para permanecer por perto. Situação que se repetiu em outras fases da carreira.
— “Para mim nunca faltou nada, mas para ele faltou muita coisa para estar comigo”, relembrou o jogador, emocionado.
Da base ao futebol europeu
O zagueiro ganhou projeção nas categorias de base do Palmeiras, onde também se destacou pela seleção brasileira de base, sendo capitão no título do Sul-Americano Sub-17 de 2017.
O desempenho abriu portas na Europa e para a fama, com transferência para o Shakhtar Donetsk. No clube ucraniano, viveu a experiência da Liga dos Campeões e enfrentou grandes equipes do continente.
Guerra mudou o rumo da carreira de Vitão
Em 2022, quando começava a se firmar no futebol europeu, Vitão viveu um dos momentos mais difíceis da vida: a guerra na Ucrânia.
Ele estava no país com a esposa e o filho pequeno quando os ataques começaram. O clima de tensão tomou conta rapidamente, com explosões, alertas e deslocamentos emergenciais.
Poucos dias depois, a família deixou o país em uma fuga marcada pela incerteza, passando por outros países europeus até retornar ao Brasil.
Retorno e consolidação no Brasil
Após o retorno, Vitão acertou com o Internacional, onde se destacou e recuperou o alto nível. O desempenho chamou atenção do Flamengo, que investiu pesado para contratá-lo.
— “Jogar no Maracanã lotado é um sonho. Superou tudo que eu imaginava”, disse.
Busca por espaço e confiança no futuro
Mesmo com um início de temporada instável para a equipe, o zagueiro mantém o foco na evolução coletiva e individual.
— “A fase ruim passa. Estamos evoluindo e vamos buscar coisas grandes”, afirmou.
Entre desafios, superações e conquistas, o paranaense de Jacarezinho segue escrevendo sua história no Flamengo, representando com orgulho sua origem e mostrando que o caminho até o topo pode ser difícil — mas possível.