Moro ficou fora do debate. Mas será que ficou fora da disputa?

A ausência do senador Sergio Moro no debate entre os candidatos ao governo do Paraná não passou despercebida. Candidato pelo PL e um dos principais nomes da disputa, Moro preferiu não participar do confronto com Requião Filho, do PDT, e Sandro Alex, do PSD, apoiado pelo governador Ratinho Jr.
A decisão gerou comentários no meio político e nas redes sociais.
Há quem considere que a escolha foi estratégica. Quem está à frente nas pesquisas, segundo essa avaliação, não teria necessariamente interesse em se expor a um confronto que poderia trazer mais riscos do que benefícios.
Participar do debate significaria responder aos adversários, defender posições, enfrentar críticas e se submeter ao julgamento de um eleitor que ainda pode estar indeciso.
Ao não participar, Moro evitou esse embate.
Mas também deixou o espaço aberto para os outros candidatos.
É preciso, porém, separar as coisas.
Para aquele eleitor que já decidiu votar em Sergio Moro, a ausência em um debate provavelmente não muda muita coisa. Quem já escolheu seu candidato dificilmente altera sua decisão apenas porque ele participou ou não de um debate.
Moro tem uma trajetória política própria e uma marca conhecida nacionalmente. O ex-juiz da Lava Jato foi uma das figuras que colocaram a capital paranaense, conhecida como a “República de Curitiba”, no centro das atenções da imprensa nacional e internacional.
Esse eleitor mais fiel não parece depender de um debate para confirmar sua escolha.
O cenário é diferente quando se fala dos indecisos.
É justamente esse eleitor que pode acompanhar um debate para observar a postura dos candidatos, suas propostas, seus argumentos e a maneira como enfrentam os adversários.
É aí que a ausência pode ter algum peso.
Talvez Sergio Moro tenha perdido espaço entre os indecisos. Mas é precipitado afirmar que tenha perdido votos entre aqueles que já estavam decididos a votar nele.
Para os adversários, a ausência foi favorável.
Na segunda-feira seguinte ao debate, os comentários e os recortes que circularam nas redes sociais se concentraram em Sandro Alex e Requião Filho.
Os dois tiveram a oportunidade de ocupar o espaço do confronto e apresentar suas ideias, suas posições e suas diferenças.
O debate foi marcado pelo embate de ideias e ideologias, mas dentro de um nível considerado republicano, como ocorreu em boa parte dos debates realizados Brasil afora.
Nesse sentido, a ausência de Sergio Moro pode ter ajudado os dois outros candidatos.
Mas a política não se resume ao barulho das redes sociais de um dia para o outro.
Para saber se Moro foi realmente prejudicado ou não, será necessário esperar a próxima rodada de pesquisas eleitorais no Paraná.
É a pesquisa, e depois a urna, que poderão indicar se a estratégia funcionou.
Também seria precipitado transformar a ausência em um debate em julgamento antecipado sobre a capacidade de alguém governar o Paraná.
Faltar ao debate não permite afirmar se um candidato será um gestor competente ou não.
Governar é outra história.
Para saber se Sergio Moro será bem-sucedido como governador ou não, é preciso vê-lo governando. Da mesma forma, não é possível afirmar antecipadamente se Sandro Alex, Requião Filho ou qualquer outro candidato desempenhará um bom papel como governador para os paranaenses sem que esteja efetivamente à frente do governo.
Debate é debate.
Campanha é campanha.
Governo é governo.
E são coisas diferentes.
Por enquanto, o que se pode dizer é que Sergio Moro não esteve debatendo com seus adversários, mas sua ausência acabou se transformando em um dos assuntos do próprio debate, mas de forma moderada, sem muitas citações.
Na política, às vezes, até quem não está presente consegue ocupar o centro da discussão.