
Por Sandra Campos
Perder um filho, companheiro, irmão ou os pais é ver um pedaço do peito ser arrancado sem anestesia. Nada preenche esse vazio. E ainda ouvimos frases vazias de quem tem pressa para ver nosso luto acabar: dizem que “foi a vontade de Deus”, que “o tempo cura tudo” ou, na crueldade maior contra quem perdeu um filho para o suicídio, dizem que “foi falta de Deus”. Mas quem disse que queremos esquecer quem amamos com toda a nossa alma?
Quando perdi meu filho de 24 anos para o suicídio, a dor foi um terremoto que engoliu quem eu era. Quem já enfrentou o luto profundo conhece a sensação de respirar por inércia enquanto a alma grita por socorro. Muitos me perguntam como superei essa dor. A verdade é que nunca vou superar: nós, mães, guardamos a certeza viva de que ainda vamos abraçar nossos filhos com o amor infinito que ficou aqui.
Mas encontrei no próximo a cura para não me afogar na amargura. Comecei a escutar e a estender a mão a quem pensa em desistir de viver. A cada vida acolhida, sinto como se meu filho recebesse um novo sopro de existência através de mim. Estar diante da dor alheia me fez mais humana, grata e humilde. Aprendi a ser a voz e o ouvido de quem não tem para onde correr.
Se você vive o luto hoje, eu acolho a sua lágrima. Chore tudo o que precisar até o nó no peito se desfazer, sem a cobrança de esquecer. E quando a força brotar, ofereça escuta e afeto a quem sofre. Você verá a dor virar uma saudade que não fere mais. Levar conforto salva vidas — inclusive a nossa.
Sobre a Autora: Eu, Sandra Campos, perdi meu filho de 24 anos para o suicídio. Transformei a dor em propósito e hoje sou ativista pela vida no projeto “Não te julgo, te ajudo!”, oferecendo acolhimento e escuta amiga. Não passe por esse peso sozinho. WhatsApp: (11) 94813-7799 | Instagram: @sandracamposa_