A pobreza na Argentina voltou a apresentar alta no primeiro trimestre de 2026, segundo estimativas elaboradas por especialistas com base nos microdados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os cálculos indicam que cerca de 600 mil pessoas passaram a viver em situação de pobreza em relação ao fim de 2025.
De acordo com as projeções, o índice de pobreza alcançou aproximadamente 30,7% da população nos três primeiros meses do ano, acima dos 29,9% registrados no último trimestre de 2025. Entre os fatores apontados para o avanço estão a aceleração da inflação no período e a perda do poder de compra da renda das famílias.
Apesar da alta, analistas avaliam que a desaceleração da inflação observada entre abril e junho pode limitar novos aumentos. Ainda assim, alguns economistas alertam que fatores sazonais podem manter a pressão sobre os indicadores sociais no segundo trimestre.
Especialistas apontam queda da renda e piora dos indicadores
O pesquisador Leopoldo Tornarolli, do Cedlas, estima que a pobreza tenha atingido 30,1% no primeiro trimestre. Segundo ele, a principal explicação para o aumento está na redução da renda familiar em termos reais, além de mudanças na distribuição dos rendimentos.
Já o Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) calcula uma taxa próxima de 30%, com a indigência em torno de 6,5%. Para a instituição, os indicadores mostram uma tendência de deterioração iniciada no fim de 2025.
Debate sobre os resultados durante o governo Milei
O avanço da pobreza ocorre após um período de forte redução observado ao longo de 2024 e de parte de 2025, durante o governo do presidente Javier Milei. No entanto, economistas divergem sobre a dimensão dessa melhora e sobre a responsabilidade pelo aumento inicial registrado após a desvalorização da moeda e a liberação de preços no início da atual gestão.
Segundo estimativas da consultoria ExQuanti, o número de pessoas em situação de pobreza voltou a crescer nos dois últimos trimestres, chegando a cerca de 14,6 milhões de argentinos no primeiro trimestre de 2026.
Os dados citados são projeções elaboradas por consultorias e centros de pesquisa a partir das informações da EPH. O índice oficial de pobreza referente ao primeiro semestre de 2026 será divulgado pelo Indec em publicação semestral prevista para setembro.