Encontro nos Estados Unidos ocorre nesta quarta-feira (14), enquanto cresce a especulação sobre uma possível indicação do ex-deputado ao Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal e irmão do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), tem encontro previsto para esta quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos, com o presidente da Argentina, Javier Milei. Os dois participarão como convidados de honra da Official Hispanic Heritage Gala, evento privado organizado pela plataforma Latino Wall Street em parceria com o veículo argentino La Derecha Diario.
Milei é um dos principais aliados políticos da família Bolsonaro na América Latina e já declarou apoio ao projeto presidencial de Flávio. A reunião acontece em meio ao desgaste diplomático entre os governos argentino e brasileiro e a menos de três semanas do segundo turno das eleições no Brasil.
O evento é organizado em parceria com o La Derecha Diario, fundado pelo estrategista digital Fernando Cerimedo. Segundo informações divulgadas sobre o caso, Cerimedo está preso na Bolívia e responde a acusações que incluem envolvimento em tentativa de homicídio e enriquecimento ilícito.
Relações bilaterais estão entre os temas da reunião
Fontes próximas a Eduardo Bolsonaro disseram ao UOL que a conversa deve tratar da retomada e do fortalecimento das relações entre Brasil e Argentina. Entre os assuntos previstos estão cooperação em segurança hemisférica, revitalização do Mercosul, integração logística e ampliação do comércio e dos investimentos.
A aproximação ocorre em um período de tensão entre Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atualmente, os dois países estão sem embaixadores nas respectivas capitais, Brasília e Buenos Aires.
Os atritos se intensificaram após Milei participar, no fim de julho, da convenção nacional do PL que anunciou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o argentino criticou Lula e se referiu ao presidente brasileiro como “o prisioneiro”.
Desde então, Milei tem mantido críticas públicas ao governo brasileiro, enquanto Lula também questiona o modelo econômico adotado pelo presidente argentino.
Milei pode reforçar apoio à candidatura de Flávio
Além das relações bilaterais, o encontro deve ter reflexos no cenário eleitoral brasileiro. Segundo fontes argentinas ouvidas pelo UOL, Milei poderá reafirmar seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O presidente argentino já havia se reunido com o senador brasileiro em Buenos Aires, no fim de junho.
Integrantes da campanha de Flávio, no entanto, afirmaram não ter informações sobre a reunião entre Eduardo e Milei. Também negaram que o ex-deputado tenha sido escolhido para comandar o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do candidato do PL.
Possível indicação ao Itamaraty gera preocupação
A hipótese de Eduardo Bolsonaro assumir o comando do Itamaraty provoca reações distintas entre diplomatas. Segundo informações publicadas pelo UOL, parte do corpo diplomático demonstra preocupação com a possibilidade, enquanto outros integrantes acompanham o cenário com expectativa.
O ex-deputado já fez críticas públicas a diplomatas que declararam apoio à candidatura de Lula. Entre eles está Vanessa Dolce de Faria, atual Alta Representante para Temas de Gênero do Ministério das Relações Exteriores.
Na véspera do primeiro turno, Eduardo republicou uma publicação da diplomata em que ela manifestava voto em Lula. Na ocasião, afirmou que ela deveria ser enviada “em missão para o Zimbábue, para que lá floresça o seu sonho de soberania”.
Em outras ocasiões, Eduardo também prometeu fazer uma “faxina” no Itamaraty. As declarações alimentaram dúvidas entre diplomatas sobre os rumos da política externa caso seu irmão chegue à Presidência.
Insatisfação com Mauro Vieira amplia tensão
A possibilidade de mudanças no comando da diplomacia brasileira se soma ao descontentamento de parte dos servidores com a gestão do atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Na semana passada, a Associação de Diplomatas do Brasil (ADB) realizou uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir reivindicações relacionadas à assistência à saúde, ao auxílio-moradia, às ajudas de custo e às diárias.
A entidade também debateu possíveis formas de mobilização diante dos problemas apontados pela categoria.
De acordo com informações de bastidores publicadas pelo UOL, a insatisfação com a atual gestão tem ampliado as pressões por mudanças no comando do ministério, inclusive em um cenário de reeleição de Lula.
Com informações do UOL.